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Hospitalar 2010

Portal Ortonegócios promove encontro entre importantes executivos e agentes da cadeia produtiva ortopédica em São Paulo
2/julho/2008 

Especialistas do segmento médico-hospitalar discutem quebra de paradigmas, padronizações metodológicas, patentes e melhorias no setor

Realizado no restaurante A Figueira Rubaiyat, no último dia 28 de novembro, o 1º Ortonegócios trouxe em pauta assuntos “polêmicos” dentro do setor de ortopedia, como a falta de pesquisa sobre novas tecnologias e incentivos governamentais.

Visão do evento

Segundo o palestrante Dr. Cleidson Diniz, especialista em registro de produto, as indústrias, constantemente, se deparam com barreiras criadas pela própria ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), quanto a normatização de produtos, pois muitos critérios utilizados por ela não são totalmente claros aos fabricantes.

No que diz respeito aos ensaios químicos e mecânicos dos materiais, muitos deles não trazem informações suficientes para balizar a qualidade dos itens testados. A falta de literatura específica impede que se faça comparações técnicas com matérias-primas similares e desestimula o fomento a pesquisas de tecnologia.

“ Existe muita insegurança, entre os empresários do ramo, em investir no estudo de novas tecnologias e métodos de produção, pois as normas que regem o segmento são, um tanto quanto, voláteis. Toda semana são publicadas no Diário Oficial novas diretrizes da ANVISA. Isso dificulta e burocratiza o trabalho no setor”, afirma Cleidson.

Rodrigo More, Doutor em Direito pela USP e um dos palestrantes do 1º Ortonegócios, ainda assim, vê com otimismo o investimento em estudos científicos no país para os próximos anos.

“A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já caminha no sentido de uniformizar as informações de seus procedimentos para que as empresas saibam o que está sendo exigido, o por quê e como atender a essa exigência. Porém é necessário que haja o fortalecimento das instituições que representam a classe e que se abra diálogo franco entre os seus representantes e os órgãos do governo”, afirma ele.

Mesmo não sendo uma potência em pesquisa científica, o Brasil tem se destacado no exterior, exportando peças protéticas e matérias-primas de altíssima qualidade. O níquel, por exemplo, tem angariado mercados no mundo inteiro. Hoje o metal é negociado a UU$ 35 mil / tonelada.

Próteses em aço inoxidável com adição de nitrogênio e pinos de sustentação bioabsorvíveis já são realidades no país. As peças em metal minimizam a migração iônica e obedecem rigorosamente as normas internacionais.

“Os produtos nacionais são produzidos com a maior precisão técnica possível, por isso ganha mercado em diversos países da Europa”, diz o palestrante Celso Barbosa, Gerente de Tecnologia – P&D da Villares Metals.

Com o desenvolvimento de próteses anatomicamente mais eficientes, cirurgias antes delicadas, como as realizadas na região do joelho, hoje não são mais motivo de medo. As reconstruções de ligamentos patelares por meio de enxerto, por exemplo, são 170% mais resistentes que os naturais. Suturas no menisco são sustentadas por grampos e parafusos bioabsorvíveis, que, após alguns meses, são totalmente integrados ao organismo.

Na região cervical, as benfeitorias são ainda maiores. Discos de silicone, capazes de amortecer grandes impactos, podem substituir as cartilagens gastas, nos casos de hérnia de disco.

“Existe um dito popular que afirma que cirurgias na coluna são altamente perigosas, pois podem causar paralisia ou tetraplegia. Hoje não há mais esse risco de seqüela, no entanto, ainda existem paradigmas a serem quebrados”, afirma Dr. René Kusabara, ortopedista palestrante.

Os traumatismos nervosos na região espinhal, por exemplo, ainda são irreversíveis. Outros casos, como rompimento de estruturas fibrosas do tecido conjuntivo e desgastes da cartilagem, são resolvidos com inserção de próteses, contudo, ainda assim, são peças de substituição não orgânicas. A esperança para a cura de tais patologias está nas pesquisas biomoleculares.

“Mesmo com tantos avanços científicos, ainda não existe cura para problemas no ligamento ou desgastes de cartilagem. O que fazemos é tratar as conseqüências da doença, proporcionando ao paciente melhor qualidade de vida. Porém há uma expectativa muito grande quanto ao desenvolvimento da biologia molecular, através das pesquisas com células tronco”, ressalta Dr. Carlos Górios, médico ortopedista e palestrante do evento.

O sistema de planos de saúde no Brasil foi outro assunto que despertou polêmica. O palestrante Dr. Mário Amadei, responsável pela área técnica de São Paulo do Grupo Golden Cross, mostrou que existe uma grande preocupação no segmento em proporcionar aos associados uma ampla cobertura de serviços, abarcando novos procedimentos, materiais e equipamentos de última geração. No entanto, existem dois problemas latentes na sociedade: a falência do sistema público e o envelhecimento da população brasileira.

Dados do IBGE publicados no último dia 03/12 revelam que a expectativa de vida do brasileiro cresceu 32,4% em relação a década de 60, época em que a atual metodologia da pesquisa passou a ser aplicada. As operadoras de planos de saúde se deparam com a seguinte questão: Como iremos atender a essa fatia de mercado?

“A saída está no gerenciamento de riscos e no investimento de campanhas para prevenção de doenças. É necessário, também, que haja uma flexibilização da legislação, no que tange a contratos de prestação de serviços e criação de produtos que vão de encontro a realidade econômica do país”, declara Amadei.

O Dr. Luiz Carlos Gracitelli, Diretor da Ortocity, acrescenta:

“ O modelo assistencial faliu no mundo inteiro. Não deu certo! Temos que mudar a via de acesso à saúde, conscientizando os profissionais envolvidos no processo”.

Após a seção de palestras, uma mesa de debates foi aberta ao público para esclarecimento de dúvidas geradas ao longo dos discursos. O evento proporcionou aos participantes a oportunidade de ampliar os conhecimentos sobre matérias-primas especificas de próteses e entender as dificuldades e a atuação de cada elo no processo, até chegar aos pacientes, ávidos por informações.

“O acontecimento foi um sucesso! Atingimos o objetivo de gerar reflexão sobre os temas abordados com a qualidade e clareza, através de especialistas experientes nas áreas de serviços de saúde, tecnologia, processos de qualidade, munindo os Gestores de Saúde com conteúdos relevantes, visando a adequada administração e ampliação de relacionamento de seus negócios, excedendo as expectativas, visando a segurança e o bem-estar do consumidor final”, conclui Maurício Rabetti, Diretor de Marketing do Portal ortonegocios.










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